Relatório do BC: 20,3 milhões de brasileiros em risco de endividamento
Neste artigo
O que o relatório dizO que é "devedor de risco"Quem está mais expostoA reação do Banco CentralO que fazer com essa informaçãoPerguntas frequentesFontesO que o relatório diz
Em 27 de outubro de 2026, a Agência Brasil informou os números do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central. Em junho de 2026, 20,3 milhões de brasileiros estavam na situação que o BC chama de devedor de risco, o equivalente a 17% dos devedores do sistema financeiro. De junho de 2021 a junho de 2026, o grupo cresceu 75%.
Pela conta inversa, um crescimento de 75% indica cerca de 11,6 milhões de pessoas em 2021. É cálculo do site a partir dos números divulgados, sem o dado original do relatório.
O que é "devedor de risco"
O BC classifica como devedor de risco quem se enquadra em pelo menos dois destes quatro critérios:
1. Parcelas de crédito atrasadas há mais de 90 dias. 2. Mais de 50% da renda mensal comprometida com dívidas. 3. Uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo. 4. Renda que sobra depois de pagar as dívidas abaixo da linha de pobreza.
O próprio BC ressalva que a classificação não significa que os 20,3 milhões estejam inadimplentes. Ela indica maior vulnerabilidade financeira.
Quem está mais exposto
Entre as pessoas com renda de até dois salários mínimos, grupo com 61,2 milhões de pessoas, as dívidas consomem 42% da renda. Desse total, 15% da renda vai para o cartão de crédito. Para quem ganha mais de dez salários mínimos, o comprometimento total é de 18,6%.
O peso do cartão cresceu em todas as faixas de renda, segundo a reportagem.
A reação do Banco Central
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que novas medidas serão anunciadas ainda em 2026, com prioridade para consumidores que usam o crédito rotativo ou têm atrasos relevantes.
Ele também manifestou preocupação com o crescimento do crédito sem garantia (cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal sem consignação), mesmo com juros altos. Segundo ele, esse crescimento é "pouco sensível a preço", ou seja, as pessoas tomam o crédito sem reagir muito ao custo.
Quatro dias antes, em 23 de outubro, o BC aprovou as Resoluções 601, 602 e 603, que criam bloqueio de ofertas de crédito, painel consolidado de dívidas e regras para ofertas durante o Pix. Elas só entram em vigor em 2027.
O que fazer com essa informação
O relatório trata de estatística, mas os mesmos critérios podem ser aplicados às contas de casa.
Teste simples
Somar o que se paga por mês em parcelas, fatura mínima e juros e dividir pela renda:
- Se o resultado passa de 50%, um dos quatro critérios é cumprido.
- O uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal e rotativo cumpre outro.
Exemplo: renda de R$ 2.800 e R$ 1.500 de dívidas por mês. A conta dá 53,6%, acima do limite de 50% usado pelo BC.
Relatório de dívidas
O relatório de empréstimos do Registrato é gratuito e mostra saldo devedor e situação em dia ou em atraso. Exige conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas.
Caminho legal
A Lei 14.181/2021 prevê a renegociação coletiva das dívidas de consumo. O mínimo existencial está em R$ 600, valor que o STF manteve em 23 de abril de 2026. O guia sobre superendividamento explica o passo a passo.
No rotativo, a Lei 14.690/2023 limita os encargos a 100% do valor original da dívida, segundo o Procon SC.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas estão em risco de endividamento segundo o BC?
20,3 milhões em junho de 2026, ou 17% dos devedores do sistema financeiro, segundo a Agência Brasil.
Isso quer dizer que todos estão inadimplentes?
Não. O BC afirma que a classificação indica maior vulnerabilidade financeira, e não que os 20,3 milhões estejam em atraso.
Quais são os critérios do BC?
Ao menos dois de quatro: atraso acima de 90 dias, mais de 50% da renda comprometida, uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e rotativo, e renda restante abaixo da linha de pobreza.
Quem está mais exposto?
Quem ganha até dois salários mínimos: 42% da renda comprometida com dívidas, dos quais 15% com cartão de crédito.
O que o BC pretende fazer?
O presidente Gabriel Galípolo disse que novas medidas serão anunciadas neste ano, com prioridade para quem usa rotativo ou tem grandes atrasos.
Fontes
Atualizado em 27 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
Continue lendo
STJ amplia o Tema 1.414 sobre abuso em cartão de crédito consignado
Em 8 de outubro de 2026, a 2ª Seção incluiu a discussão do prazo para contestar contratos de cartão com reserva de margem. Veja o que está em jogo.
PF faz operação contra consignados contratados sem autorização do titular
A Operação Ubiquidade 2, de 29 de outubro, mirou grupo que liberava benefícios do INSS para contratar consignados sem o titular saber. Veja como se proteger.
TJSP reconhece cartão consignado porque a cliente usou o crédito
Decisão do TJSP noticiada em 19 de outubro validou contrato com assinatura contestada porque houve uso do crédito. Veja o que pesou e o alcance da decisão.