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Golpes bancários mais comuns e o que fazer nas primeiras horas

Resposta rápidaSegundo a Quod, a engenharia social, em que o criminoso convence a vítima a agir, respondeu por cerca de 40% das indicações de fraude no primeiro semestre de 2026. Nas primeiras horas, conteste o Pix no aplicativo, ligue para o banco pelo canal oficial, registre boletim de ocorrência e guarde as provas. No golpe da falsa central, o STJ entendeu em julho de 2026 que a responsabilidade do banco depende de falha comprovada no serviço.
Neste artigoO tamanho do problemaOs golpes que mais aparecemAs primeiras horas, em ordemO que o STJ disse sobre a responsabilidade do bancoComo se proteger antesO que o banco precisa fazerPerguntas frequentesFontes

O tamanho do problema

No primeiro semestre de 2026, a Quod registrou mais de 9 milhões de indicações de fraude, alta de 10,26% sobre o semestre anterior, segundo a Agência Brasil. Cerca de 3,6 milhões foram de engenharia social, ou 40% do total.

Outros números da mesma reportagem:

  • O celular foi o canal principal, em 78% dos casos.
  • O Pix foi o meio de pagamento em 85%.
  • Cerca de 3,1 milhões de pessoas foram vítimas, e uns 799 mil foram enganados duas vezes ou mais.
  • 58% das vítimas ganham até dois salários mínimos.

Nesse tipo de golpe, o criminoso convence a vítima a fazer a operação, em vez de invadir o aparelho.

Os golpes que mais aparecem

Falsa central de atendimento

Alguém liga dizendo ser do banco e afirma que há uma compra suspeita. No caso julgado pelo STJ, a vítima recebeu ligação de um número 0800, o golpista sabia dados pessoais dela e indicou uma conta para transferência. A pressão por urgência é o sinal de alerta apontado pela reportagem.

Falso policial

O criminoso se passa por policial para dar autoridade ao pedido e pressionar por transferências ou dados. A reportagem lembra que uma investigação alegada não justifica transferir dinheiro nem passar dados.

Golpe em várias frentes

A Agência Brasil descreve campanhas que misturam ligação, WhatsApp, SMS e e-mail ao longo de dias ou semanas. Também cita táticas com inteligência artificial, como clonagem de voz, imagens e documentos falsificados.

Conta laranja

Quando alguém empresta ou vende a própria conta para golpistas, ela pode entrar no esquema. A reportagem recomenda nunca ceder conta para terceiros.

Golpes contra comerciantes

O golpista paga e depois pede devolução por nova transferência, enquanto aciona o MED. Veja o guia sobre o golpe do Pix e o MED.

As primeiras horas, em ordem

A ordem abaixo parte do que o Senado Verifica e a Agência Brasil indicam para o Pix.

Primeira hora

1. Interrompa o contato com o golpista. Não faça mais nenhuma transferência, mesmo que ele diga que é para "desfazer". 2. Conteste o Pix no aplicativo do banco. O banco do recebedor é avisado e deve bloquear o valor disponível. 3. Ligue para o banco pelo número do cartão ou do aplicativo. Não use número recebido por mensagem. Peça bloqueio de cartões e de acessos, e anote o protocolo. 4. Troque senhas e saia de aplicativos suspeitos. Se algo foi instalado a pedido do golpista, convém desinstalar e pedir orientação ao banco.

Primeiras 24 horas

5. Registre o boletim de ocorrência, que em alguns estados pode ser feito online, segundo o Senado Verifica. 6. Reúna as provas: prints da conversa, número de telefone, comprovantes, dados da conta recebedora, horário das ligações. 7. Peça ao banco, por escrito, o resultado da contestação e a cópia do protocolo.

Nos dias seguintes

8. Verifique se há contas e chaves Pix em seu nome. Os relatórios do Banco Central (Contas e Relacionamentos em Bancos, e Chaves Pix) são gratuitos pelo Meu BC. O primeiro mostra em quais bancos você tem ou teve relacionamento; o segundo, as chaves Pix cadastradas em seu nome. Para usar, é preciso conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas. 9. Reclame no Banco Central pelo 145 (8h às 18h, dias úteis, segundo o Senado Verifica), caso o banco não resolva.

O que o STJ disse sobre a responsabilidade do banco

A Súmula 479 estabelece que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos de fortuito interno, relativos a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.

Mas em julho de 2026 a Terceira Turma do STJ, no REsp 2.209.868, relatado pelo ministro Humberto Martins, entendeu que isso não é automático no golpe da falsa central. Segundo a notícia do tribunal:

  • A responsabilidade depende de demonstrar falha na prestação do serviço.
  • Entre os critérios: o banco não identificar operações incompatíveis com o perfil do cliente, ter mecanismos de segurança insuficientes, ou haver outro elemento que ligue a fraude ao risco da atividade bancária.
  • No caso julgado, a cliente fez dois Pix (R$ 2.490,99 e R$ 1.000) que o tribunal estadual considerou compatíveis com o histórico da conta, e no dia seguinte transferiu R$ 28 mil presencialmente, sem pedir esclarecimentos na agência. O banco não foi responsabilizado.

Em outras palavras: transações incompatíveis com o perfil do cliente podem ser relevantes na análise do caso, e o extrato e o histórico ajudam a demonstrá-las. Cada situação é julgada pelas suas provas.

Como se proteger antes

As recomendações abaixo aparecem na reportagem da Agência Brasil:

  • Desconfie de urgência.
  • Confira a conta pelo aplicativo oficial do banco.
  • Desligue e ligue de volta pelo canal oficial.
  • Nunca informe senhas ou códigos.
  • Verifique destinatário e valor antes de confirmar um Pix.
  • Uma investigação policial alegada não justifica transferência.
  • Evite links suspeitos recebidos sem aviso.
  • Ative a verificação em duas etapas.

Segundo o Senado Verifica, regras de segurança em vigor incluem limites restritos para transações em dispositivos não cadastrados no banco e limites diferenciados das 20h às 6h. O banco informa como ajustar os limites.

O que o banco precisa fazer

O Banco Central ampliou o compartilhamento de indícios de fraude entre instituições (Resolução BCB 501, segundo a Agência Brasil) e há um registro unificado de fraudes. Mesmo assim, segundo a Quod, as indicações de fraude subiram 10,26% no primeiro semestre de 2026 em relação ao semestre anterior.

Perguntas frequentes

Qual é o golpe mais registrado?

Segundo dados da Quod divulgados pela Agência Brasil, a engenharia social respondeu por cerca de 40% das indicações de fraude no primeiro semestre de 2026, e o Pix foi o meio de pagamento em 85% dos casos.

O banco sempre devolve o dinheiro do golpe?

Não. O STJ decidiu em julho de 2026 que a responsabilidade do banco pelo golpe da falsa central não é automática e exige prova de falha na prestação do serviço.

Qual a primeira coisa a fazer depois do golpe?

Contestar o Pix no aplicativo do banco (MED) e comunicar o banco pelo canal oficial. A rapidez aumenta a chance de bloquear o dinheiro.

Como saber se abriram conta no meu nome?

O Banco Central oferece o Relatório de Contas e Relacionamentos em Bancos, gratuito, pelo Meu BC com conta gov.br prata ou ouro.

Preciso fazer boletim de ocorrência?

O Senado Verifica o aponta como indispensável para formalizar a denúncia e servir de prova no processo administrativo do banco.

Fontes

Revisão jurídica: Matheus Lorenzen do Amaral, advogado (OAB/RS 90.061 e OAB/SC 74.552), Araranguá/SC.
Atualizado em 3 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.

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