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Golpe do chip: polícia do RS diz que funcionário ligado à TIM recebeu R$ 44,7 mil para trocar linha

Resposta rápidaA Polícia Civil do Rio Grande do Sul fez em 4 de novembro de 2026 a Operação Chave Mestra contra um grupo suspeito de transferir a linha de celular de um funcionário de banco para outro chip e, com os códigos por SMS, invadir sistemas internos. Cinco pessoas foram presas. Segundo a polícia, um funcionário ligado à operadora TIM e um familiar teriam recebido cerca de R$ 44,7 mil por Pix pela troca da linha.
Neste artigoO que a polícia encontrouO papel do funcionário da operadoraO grupo vendia o serviço a outros criminososPor que isso importa para a sua conta no bancoO que fazer se acontecer com vocêQuem respondePerguntas frequentesFontes

O que a polícia encontrou

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou na quarta-feira (4) a Operação Chave Mestra. A investigação é do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc), dirigido pelo delegado Eibert Moreira, segundo o abc+.

O caso começou em dezembro de 2025. A linha de celular de um funcionário de um banco público gaúcho, cujo nome não foi divulgado, foi transferida para um chip controlado pelo grupo. Com o número em mãos, os suspeitos passaram a receber os códigos enviados por SMS e redefiniram a senha de uma conta corporativa do funcionário.

Segundo a CNN Brasil, eles baixaram arquivos internos sobre tecnologia e segurança do banco. O Clic Camaquã relata que o grupo procurou oito profissionais de TI em busca de autorização para operações. Segundo o abc+, a equipe recusou e avisou a polícia. O acesso durou cerca de 48 horas, sem transferência de dinheiro.

O papel do funcionário da operadora

Aqui está o ponto que interessa a qualquer pessoa com celular. Segundo a polícia, a troca da linha foi feita por dentro: um funcionário ligado à TIM teria facilitado a operação (a CNN Brasil também o descreve como prestador de serviço). Ele e um familiar teriam recebido cerca de R$ 44,7 mil por Pix entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, valor que aparece nas três reportagens. O abc+ acrescenta que o dinheiro passou por uma empresa.

À CNN Brasil, a TIM disse que "repudia qualquer prática ilícita" e que está à disposição das autoridades.

O grupo vendia o serviço a outros criminosos

O abc+ chama o modelo de crime como serviço. Segundo a CNN Brasil e o abc+, o grupo oferecia a terceiros:

  • transferência indevida de linhas e "derrubada" de números;
  • venda de dados pessoais de vítimas, como nome, CPF, data de nascimento e endereço;
  • exclusão de registros do Banco Nacional de Mandados de Prisão, mantido pelo CNJ (as reportagens não informam se algum registro chegou a ser alterado).

Um dos aparelhos monitorados estava ligado a cerca de 38 linhas de pessoas de vários estados desde janeiro de 2025. As contas dos principais alvos tiveram movimentação suspeita acima de R$ 3,7 milhões, e há depósito em criptoativos estimado em cerca de R$ 5 milhões. A Justiça mandou bloquear contas e criptoativos dos investigados.

Por que isso importa para a sua conta no banco

O alvo, desta vez, era um sistema interno. Mas a técnica é a mesma usada contra clientes comuns: quem controla o seu número recebe os códigos de confirmação por SMS e pode tentar recuperar a senha do e-mail, do WhatsApp e de aplicativos.

Como perceber? Se o número foi transferido para outro chip, um efeito possível é o seu aparelho deixar de receber ligações e SMS sem explicação. Nessa situação, vale agir rápido, como mostramos abaixo.

O que fazer se acontecer com você

1. De outro aparelho, ligue para a operadora e peça o bloqueio da linha e de qualquer troca de chip. Anote o protocolo. 2. Avise o banco pelo telefone do verso do cartão ou pelo aplicativo em outro aparelho. 3. Troque as senhas do e-mail principal e dos serviços que mandam código por SMS. 4. Registre boletim de ocorrência, se houver qualquer movimentação estranha. 5. Se a operadora não resolver, reclame na Anatel.

Se já houve dinheiro levado, o roteiro das primeiras horas está no guia golpes bancários mais comuns e o que fazer. Para Pix enviado a golpista, veja como funciona o MED e o pedido de devolução.

Quem responde

O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor diz que o fornecedor de serviços responde, independentemente de culpa, pelos danos causados por defeito na prestação do serviço. Na prática, o caso de cada vítima depende de prova do que aconteceu com a linha e com a conta. Quem teve prejuízo pode buscar o Procon, o Juizado Especial Cível ou a Defensoria Pública.

Perguntas frequentes

O que é o golpe da troca de chip?

É quando o criminoso consegue transferir o seu número para um chip que está com ele. A partir daí, recebe as suas ligações e os códigos enviados por SMS, que servem para redefinir senhas de e-mail, aplicativos e contas.

Quantas pessoas foram presas na Operação Chave Mestra?

Cinco, segundo a CNN Brasil e o abc+. Foram cumpridas 28 ordens judiciais, incluindo 6 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão, no Paraná, em Goiás, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

O banco atacado perdeu dinheiro?

Segundo as reportagens, não. A credencial ficou com os suspeitos por cerca de 48 horas, mas não houve transferência nem alteração em posições financeiras. O banco não teve o nome divulgado.

Meu celular parou de receber ligações e SMS sem explicação. O que faço primeiro?

Use outro aparelho para ligar para a operadora e pedir o bloqueio da linha e de qualquer troca de chip. Em seguida, avise o seu banco pelos canais oficiais e troque as senhas do e-mail e dos aplicativos que recebem código por SMS.

A operadora responde se um funcionário dela trocou meu chip?

O Código de Defesa do Consumidor diz que o fornecedor responde, independentemente de culpa, pelos danos causados por defeito na prestação do serviço. Cada caso depende de prova, e a reclamação pode começar pela própria operadora e pela Anatel.

Fontes

Revisão jurídica: Matheus Lorenzen do Amaral, advogado (OAB/RS 90.061 e OAB/SC 74.552), Araranguá/SC.
Atualizado em 5 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.

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