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Apostador de bet ilegal: operação do DF bloqueia até R$ 3,48 bilhões e mira contas em fintech

Resposta rápidaA Polícia Civil do DF deflagrou em 5 de novembro de 2026 a Operação Azzardo contra sites de apostas sem autorização federal. Segundo a polícia, o dinheiro dos apostadores ia para empresas de fachada com mais de 100 contas na fintech A55, e a Justiça autorizou bloquear até R$ 3,483 bilhões. Quem apostou e não recebeu deve guardar os comprovantes e registrar boletim. Quem cedeu dados a terceiros deve checar o próprio CPF.
Neste artigoO que a polícia fezComo o dinheiro do apostador circulavaBloqueio e medidas contra os investigadosO apostador como vítimaE se usaram o seu nomePerguntas frequentesFontes

O que a polícia fez

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã de quinta-feira, 5 de novembro, a Operação Azzardo, nome que vem da expressão italiana para jogo de azar. Cerca de 200 policiais cumpriram 52 mandados de busca e apreensão no DF, em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte, segundo a Agência Brasil.

O alvo são sites de apostas de quota fixa sem autorização federal. Eles eram divulgados em redes sociais e apareciam em buscas no Google.

A investigação começou há cinco meses, a partir de comunicações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Como o dinheiro do apostador circulava

Segundo a polícia, o Pix feito pelo apostador não ia para uma casa de apostas. Ia para empresas de fachada, com mais de 100 contas abertas na fintech A55 Sociedade de Crédito, de São Paulo.

A Folhapress, em texto publicado pelo Jornal de Brasília, relata que as empresas declaravam atividades sem relação com apostas, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô em Sobradinho. Foram abertas entre fevereiro e julho de 2026. Em um único lote de Ceilândia, dez empresas indicavam o mesmo telefone, segundo a polícia.

Depois, o dinheiro era concentrado, redistribuído e parte dele convertida em criptoativos.

Os números variam. A rede teria movimentado cerca de R$ 734 milhões, e cerca de R$ 1 bilhão teria passado pelas contas na fintech, de acordo com a Agência Brasil.

Bloqueio e medidas contra os investigados

O Juízo das Garantias de Sobradinho autorizou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões de 64 pessoas físicas e 120 empresas. Também suspendeu o CNPJ de 100 empresas, proibiu os investigados de abrir novas contas por 90 dias e quebrou sigilos bancário e fiscal.

A PCDF diz que a fintech, duas empresas do grupo e seus dirigentes são alvos das medidas. São suspeitos, não condenados. A Agência Brasil informou que tentava contato com a A55, e não localizamos resposta da empresa até 6 de novembro.

O apostador como vítima

Apostadores registraram boletins de ocorrência dizendo que não receberam o que ganharam e que não sabiam que os sites eram ilegais. Para o delegado Paulo Pereira, chefe da Draco, "aparentemente estavam sendo vítimas de estelionato".

Se você apostou em um desses sites e ficou sem o dinheiro, três passos ajudam:

  • guarde comprovantes de Pix, prints da plataforma e conversas;
  • registre boletim de ocorrência, de preferência informando o nome da empresa que aparece no comprovante;
  • avise o seu banco sobre a transação e pergunte o que ele pode fazer.

Um ponto pesa aqui. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a MP 1.394, de 25 de setembro de 2026, proibiu a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o país. A norma é contestada no STF, na ADI 8027, que teve audiência pública marcada para 3 de novembro; não localizamos decisão sobre a validade até 6 de novembro. Qualquer site que ofereça apostas hoje merece desconfiança.

E se usaram o seu nome

Uma das empresas estava registrada em uma casa simples. A moradora disse ter recebido R$ 200 para fornecer seus dados, segundo a Agência Brasil.

Ceder CPF, documento ou selfie em troca de dinheiro pode colocar o seu nome dentro de uma investigação. Quem passou por isso, ou desconfia que os dados foram usados sem permissão, pode agir:

  • consulte o Registrato, do Banco Central, para ver contas e dívidas ligadas ao seu CPF;
  • ative o BC Protege+, que impede a abertura de contas no seu nome, como explicamos nesta reportagem;
  • registre boletim de ocorrência se houver empresa ou conta que você não abriu;
  • busque a Defensoria Pública ou um advogado se for chamado a depor.

Perguntas frequentes

O que é a Operação Azzardo?

É uma operação coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal, deflagrada em 5/11/2026 com apoio das polícias civis de SP, GO, PR, CE e RN, contra uma rede de sites de apostas sem autorização federal, segundo a Agência Brasil.

Quanto dinheiro passou pelo esquema?

Segundo as investigações citadas pela Agência Brasil, a rede movimentou cerca de R$ 734 milhões, e cerca de R$ 1 bilhão passou pelas contas na fintech A55. A reportagem não explica a diferença entre os números.

A fintech foi condenada?

Não. A PCDF informou que a instituição, duas empresas do grupo e seus dirigentes são alvos de busca e bloqueio. Investigação não é condenação. A Agência Brasil informou que tentava contato com a A55, e não localizamos resposta da empresa até 6/11.

Apostei e não recebi o prêmio. O que faço?

Guarde comprovantes de Pix, prints do site e conversas, e registre boletim de ocorrência. Segundo a Agência Brasil, apostadores já registraram ocorrências dizendo que não receberam os valores.

Recebi dinheiro para emprestar meus dados. Corro risco?

A polícia encontrou empresas registradas em nome de pessoas que forneceram dados, como uma moradora que disse ter recebido R$ 200. Quem está nessa situação pode ser chamado a explicar e deve buscar orientação da Defensoria Pública ou de um advogado.

Ainda existe bet legal no Brasil?

Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a Medida Provisória 1.394, de 25/9/2026, proibiu a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa. A MP é contestada no STF, na ADI 8027.

Fontes

Revisão jurídica: Matheus Lorenzen do Amaral, advogado (OAB/RS 90.061 e OAB/SC 74.552), Araranguá/SC.
Atualizado em 6 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.

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