Quem não paga a fatura inteira: juros do rotativo chegam a 451,7 por cento ao ano, diz BC
Neste artigo
O número de setembroE o parcelamento da fatura?O limite que vale para todo mundoNão é só quem ganha poucoO que fazer se a fatura apertouPerguntas frequentesFontesO número de setembro
Pagou só o mínimo da fatura ou deixou parte dela em aberto? Então o saldo caiu no rotativo, a modalidade mais cara do cartão.
Em setembro de 2026, a taxa média do rotativo para pessoas físicas chegou a 451,71 por cento ao ano, segundo a série 22022 do Banco Central, consultada em 5 de novembro. O dado de setembro ainda é preliminar e pode ser revisado. Em agosto, estava em 444,89 por cento. Na conta mensal, a taxa média passou a 15,29 por cento ao mês, contra 15,18 por cento em agosto (série 25477).
É o nível mais alto desde agosto de 2025, quando a média foi de 453,64 por cento ao ano. De lá para cá, a taxa oscilou entre 429 e 448 por cento.
E o parcelamento da fatura?
Quem troca o rotativo pelo parcelamento da fatura paga menos, mas ainda paga caro. A média dessa modalidade foi de 193,02 por cento ao ano em setembro, ou 9,37 por cento ao mês. Um ano antes, em setembro de 2025, era de 182,93 por cento ao ano.
Lembre que esses números são médias do mercado. A taxa do seu cartão depende do banco e do seu perfil, e pode ficar acima da média.
O limite que vale para todo mundo
Duas regras protegem quem entra no rotativo. A primeira é o teto: desde 3 de janeiro de 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem ultrapassar o valor original da dívida. A regra vem do art. 28 da Lei 14.690, de 2023, regulamentado pela Resolução CMN 5.112. Na prática, uma dívida de R$ 1.000 pode chegar, no máximo, a R$ 2.000 somados juros e encargos, como explicou a Rádio Senado na época.
A segunda é a renegociação. A mesma resolução garante renegociar a qualquer momento, desde que os juros e encargos da renegociação também não passem do valor original da dívida, descontados os juros e encargos já pagos.
O teto não reduz a taxa, só limita o total. Por isso, quanto antes a dívida sair do rotativo, menos ela pesa. Detalhamos a regra em nosso guia sobre o limite de 100 por cento.
Não é só quem ganha pouco
Reportagem do g1 publicada nesta quinta-feira (5), com dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central, mostra que a inadimplência cresceu mais, em termos percentuais, na alta renda. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, subiu 38,8 por cento para quem ganha de 10 a 20 salários mínimos e 35,8 por cento acima de 20 salários mínimos. As taxas dessas faixas continuam menores que as das demais, segundo o g1.
O que fazer se a fatura apertou
- Compare o custo: em setembro, a taxa média do crédito pessoal não consignado foi de 110,94 por cento ao ano (série 20742 do BC), bem abaixo do rotativo. Veja o Custo Efetivo Total antes de aceitar qualquer troca.
- Leve a dívida para outro banco: a portabilidade também vale para o saldo da fatura. Explicamos em portabilidade de crédito.
- Aproveite os mutirões em curso: o mutirão dos bancos vai até 30 de novembro, como mostramos nesta notícia.
- Se as dívidas comprometem o básico, a lei do superendividamento permite um plano de pagamento com todos os credores.
Perguntas frequentes
Quanto está o juro do rotativo do cartão em 2026?
Em setembro de 2026, a taxa média foi de 451,71 por cento ao ano, ou 15,29 por cento ao mês, segundo o Banco Central. Cada banco cobra a sua taxa, que pode ser maior ou menor que a média.
O parcelamento da fatura sai mais barato que o rotativo?
Na média, sim. Em setembro, o parcelamento da fatura custou 193,02 por cento ao ano, ou 9,37 por cento ao mês, contra 451,71 por cento ao ano do rotativo. Ainda assim, é um crédito caro.
Os juros do rotativo podem passar do valor da dívida?
Não. Desde 3 de janeiro de 2024, a Lei 14.690 e a Resolução CMN 5.112 limitam juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura ao valor original da dívida. Uma dívida de R$ 1.000 não pode gerar mais de R$ 1.000 em juros e encargos.
Como sei quanto já paguei de juros no rotativo?
Pelo art. 2º-B da Resolução CMN 5.112, a fatura e o demonstrativo devem detalhar o valor original da dívida e o total cobrado de juros e encargos em cada operação.
A inadimplência subiu também entre quem ganha mais?
Segundo o g1, com dados do SCR do Banco Central, a taxa de inadimplência de quem ganha de 10 a 20 salários mínimos subiu 38,8 por cento entre agosto de 2025 e agosto de 2026, e acima de 20 salários mínimos, 35,8 por cento.
Fontes
- Banco Central - Série SGS 22022: taxa média de juros, pessoas físicas, cartão de crédito rotativo (ao ano)
- Banco Central - Série SGS 25477: taxa média mensal, cartão de crédito rotativo
- Banco Central - Série SGS 22023: taxa média de juros, cartão de crédito parcelado (ao ano)
- Banco Central - Série SGS 25478: taxa média mensal, cartão de crédito parcelado
- Banco Central - Série SGS 20742: taxa média de juros, crédito pessoal não consignado (ao ano)
- Banco Central - Resolução CMN 5.112, de 2023
- Rádio Senado - Novo limite para juros do cartão de crédito foi fruto de lei aprovada no Congresso
- g1 - Inadimplência dispara quase 40 por cento em um ano na alta renda
Atualizado em 5 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
Continue lendo
Comprou na planta? Aprovação não garante o juro do repasse, e a taxa mínima chega a 15 por cento
Quem comprou na planta e financia o saldo na entrega das chaves costuma pagar a taxa do dia da assinatura. Veja o efeito da alta dos juros e o que pedir ao banco.
Quem espera juros menores no empréstimo: Copom para cortes e mantém Selic em 13,75 por cento
Copom manteve a Selic em 13,75 por cento ao ano em 4/11/2026, após cinco cortes. O que muda para quem tem empréstimo, cartão ou cheque especial.
Juros do rotativo do cartão de crédito e o limite de 100% da dívida
Veja o que é o rotativo, como funciona o teto que impede os encargos de passarem do valor original da dívida e o que fazer com uma fatura que não cabe.