Atraso nas dívidas cai a 29,3 por cento das famílias, mas sobe na faixa de até 3 salários mínimos
Neste artigo
O que a pesquisa de outubro mostrouPara quem ganha menos, o atraso não recuouO peso do cartãoO que fazer se você está entre os inadimplentesPerguntas frequentesFontesO que a pesquisa de outubro mostrou
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou na quinta-feira, 5 de novembro de 2026, a Peic de outubro. O retrato geral é de alívio pequeno.
A parcela de famílias com dívidas ficou em 81,6 por cento, ante 81,7 por cento em setembro. A própria CNC trata essa diferença como estabilidade estatística. O índice segue acima dos 79,5 por cento de outubro de 2025.
A inadimplência caiu pelo segundo mês: 29,3 por cento das famílias estavam com contas ou parcelas em atraso, contra 29,6 por cento em setembro. Segundo a CNC, é o menor nível desde o início de 2026.
Outros indicadores de outubro:
- famílias que dizem não ter como pagar as dívidas atrasadas: 12,2 por cento (eram 12,5 por cento em setembro);
- tempo médio de atraso: 65,1 dias;
- famílias com mais da metade da renda presa a dívidas: 19,3 por cento;
- famílias que se dizem muito endividadas: 16,8 por cento, o menor percentual desde abril.
Para quem ganha menos, o atraso não recuou
A média esconde uma diferença. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, a inadimplência subiu de 38,5 para 38,6 por cento. Foi a única faixa de renda em que o atraso aumentou.
A alta é pequena, e a comparação com um ano antes é favorável: em outubro de 2025, o índice dessa faixa era de 39,2 por cento.
O nível, porém, segue bem acima da média. Nesse grupo, 84,5 por cento têm dívidas e 18,3 por cento afirmam que não terão condições de pagar o que está atrasado. Na faixa de três a cinco salários, o atraso caiu para 27,1 por cento.
Outro dado pede atenção: 48,8 por cento das dívidas em atraso já passaram de 90 dias.
O peso do cartão
A Peic lista o cartão de crédito entre as dívidas das famílias, ao lado de cheque especial, carnê, consignado, empréstimo pessoal e financiamento. Segundo o g1, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, aponta o rotativo do cartão como um dos principais vilões. Segundo ele, os juros médios do rotativo chegam a 440 por cento ao ano, com a Selic em 13,75 por cento.
Os dados mais recentes do Banco Central sobre o rotativo, de 451,7 por cento ao ano em setembro, estão nesta notícia.
Para os próximos meses, a análise da CNC prevê nova queda das contas em atraso e estabilização do endividamento. O g1 relata que a entidade conta com a segunda parcela do 13º salário no fim do ano.
O que fazer se você está entre os inadimplentes
Duas perguntas ajudam a decidir o passo seguinte. Elas são sugestão nossa, não da CNC.
A primeira: a dívida cabe no orçamento se for renegociada? Se cabe, há canais abertos agora. O mutirão dos bancos vai até 30 de novembro e o Feirão Serasa Limpa Nome, até 6 de dezembro. Antes de aceitar, compare o custo total e a parcela com o que sobra no mês.
A segunda: as dívidas, somadas, já comem o dinheiro do básico? Aí o caminho pode ser a repactuação prevista na lei do superendividamento, que reúne todos os credores. O guia sobre a Lei 14.181 explica como pedir. Procon e Defensoria Pública são canais que podem orientar.
Quem está no rotativo pode ver como funciona o limite de 100 por cento para os juros.
Perguntas frequentes
O que a Peic considera família endividada?
É a família que declara ter dívidas a vencer, como cartão de crédito, cheque especial, carnê, consignado, empréstimo pessoal ou financiamento, mesmo que esteja pagando em dia.
Endividado e inadimplente são a mesma coisa?
Não. Endividado tem dívida, em dia ou não. Inadimplente tem conta ou parcela em atraso. Em outubro de 2026, eram 81,6 por cento e 29,3 por cento das famílias, segundo a CNC.
Quantas famílias dizem que não vão conseguir pagar o atraso?
12,2 por cento do total em outubro de 2026, ante 12,5 por cento em setembro. Na faixa de até três salários mínimos, são 18,3 por cento, ante 18,5 por cento.
Quanto tempo as dívidas ficam atrasadas?
O atraso médio caiu para 65,1 dias em outubro, mas 48,8 por cento das dívidas atrasadas já passaram de 90 dias, segundo a CNC.
Quem não consegue pagar todas as dívidas tem alguma saída legal?
A Lei 14.181/2021, do superendividamento, prevê a repactuação das dívidas de consumo com todos os credores. O guia do site sobre a lei explica os requisitos e onde pedir.
Fontes
Atualizado em 6 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
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